Pensei em falar das coisas que eu não entendo, mas já que eu não entendo, porque perder tempo com isto. Algumas palavras voam, mas em tempos de crise, o melhor é resguardar-se de vários conceitos cruéis. Há em mim duas partes. Uma de fato diz o que sou, e a outra me esconde por trás do meu olhar curioso. Levou algum tempo para que eu entendesse que o “eu” oculto por trás da curiosidade, fosse de fato o mais interessante em mim. Enfim, não vou explicar melhor, por que assim estragarei o meu disfarce.
Já que eu falei no tempo, então vou deixar que ele se encarregue dos outros caminhos que segui há tempos atrás; uma certa menina; um certo refúgio que me afugentou por anos. O tempo é o senhor dos esquecimentos e, para mim que sou um certo vegetal errante e inquieto, só me resta cavalgar por entre as linhas do aceitável o do lógico. E aqueles velhos erros ficaram para trás, e junto com eles a menina que era tão grande, perdeu o seu valor, e hoje são apenas traços que nem lembro mais. Ficou distante da minha realidade. Mudou de mundos. Praticamente perdeu-se no tempo. No seu tempo de ir, e foi...
Algumas horas do dia ou da noite. Ainda venho a lembrar de algumas horas; de alguns caminhos; de alguma companhia em meus passos. Pois é, hoje já ando sozinho, e ando melhor. Consigo enxergar com mais precisão, e até posso me arriscar em correr. Encontrei algumas meias gente, mas de fato aquela senhora de cabelos estranhos me assustou. Ela era meio pálida, cabelos amarelos e andar meio capenga. O seu olhar era perdido, mas a sua língua era felina e não mentia, acho que me lembrei do tempo em que eu era apenas um broto de feijão perdido em algum canteiro da vida.
Aquela senhora me olhou bastante, e de repente a sua língua ardeu nos meus lombos.
_ Se tu andas por aqui, é por que foges de teu mundo!
_ Se tu olhas para mim com essa cara de bode perdido, é porque não sabes aonde vai!
_ E se tu ficares aí, apenas parado, logo criará raízes e pronto. Não serei eu que te cortará!
As palavras arderam como fogo, mas enfim tudo era verdade, menos a parte que eu fugia do meu mundo, na verdade eu aceitava cada vez mais o meu mundo e a condição de conhecer o tempo a cada hora e cor no mesmo dia.“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.” Essa frase de “Exupéry” me veio à cabeça como um o impacto de um meteoro no solo. Pois é, chorei! Cada um cativa e carrega no peito a dor que não cura e que não passa, mas acostuma. É um risco a correr, mas enfim! “O essencial é invisível aos olhos” como diziaAntoine de Saint Exupery.
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