terça-feira, 11 de julho de 2017

A SENHORA DE CABELOS ESTRANHO E UMA LEMBRANÇA DA MENINA DE OLHOS GRANDES

          Pensei em falar das coisas que eu não entendo, mas já que eu não entendo, porque perder tempo com isto. Algumas palavras voam, mas em tempos de crise, o melhor é resguardar-se de vários conceitos cruéis. Há em mim duas partes. Uma de fato diz o que sou, e a outra me esconde por trás do meu olhar curioso. Levou algum tempo para que eu entendesse que o “eu” oculto por trás da curiosidade, fosse de fato o mais interessante em mim. Enfim, não vou explicar melhor, por que assim estragarei o meu disfarce.

          Já que eu falei no tempo, então vou deixar que ele se encarregue dos outros caminhos que segui há tempos atrás; uma certa menina; um certo refúgio que me afugentou por anos. O tempo é o senhor dos esquecimentos e, para mim que sou um certo vegetal errante e inquieto, só me resta cavalgar por entre as linhas do aceitável o do lógico. E aqueles velhos erros ficaram para trás, e junto com eles a menina que era tão grande, perdeu o seu valor, e hoje são apenas traços que nem lembro mais. Ficou distante da minha realidade. Mudou de mundos. Praticamente perdeu-se no tempo. No seu tempo de ir, e foi...

          Algumas horas do dia ou da noite. Ainda venho a lembrar de algumas horas; de alguns caminhos; de alguma companhia em meus passos. Pois é, hoje já ando sozinho, e ando melhor. Consigo enxergar com mais precisão, e até posso me arriscar em correr. Encontrei algumas meias gente, mas de fato aquela senhora de cabelos estranhos me assustou. Ela era meio pálida, cabelos amarelos e andar meio capenga. O seu olhar era perdido, mas a sua língua era felina e não mentia, acho que me lembrei do tempo em que eu era apenas um broto de feijão perdido em algum canteiro da vida.
Aquela senhora me olhou bastante, e de repente a sua língua ardeu nos meus lombos.

               _ Se tu andas por aqui, é por que foges de teu mundo!
               _ Se tu olhas para mim com essa cara de bode perdido, é porque não sabes aonde vai!
               _ E se tu ficares aí, apenas parado, logo criará raízes e pronto. Não serei eu que te cortará!

          As palavras arderam como fogo, mas enfim tudo era verdade, menos a parte que eu fugia do meu mundo, na verdade eu aceitava cada vez mais o meu mundo e a condição de conhecer o tempo a cada hora e cor no mesmo dia.“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.” Essa frase de “Exupéry” me veio à cabeça como um o impacto de um meteoro no solo. Pois é, chorei! Cada um cativa e carrega no peito a dor que não cura e que não passa, mas acostuma. É um risco a correr, mas enfim! “O essencial é invisível aos olhos” como diziaAntoine de Saint Exupery.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DIÁRIO DE UM VEGETAL