Já não enumero os dias
As primeiras horas do dia são as mais bonitas apenas para àqueles que não sabem observar o decorrer de cada hora passada. Pois bem, eu consigo ver coloridos onde tu só enxergas cinza e preto. Pessoas que não sabem enxergar, só vêem o que querem que elas vejam.
Quero vê-las fecharem os olhos e descrever o que realmente estão vendo e sentindo. Posso ser “um Vegetal” nada incomum, mas sei o que realmente importa a alma.
De todos os olhos que eu pude observar, vi naqueles que pouco me revelaram sobre o que eu necessitei para entender. Sobre as coisas que eu não entendi nada pude fazer. Fiquei apenas observando os dias e as horas que passaram até hoje.
Se isso passou, eu não sei dizer. Há aqueles que sempre dão um jeito de não ser completamente esquecido. Mas isso não me importa, tenho objetivos a buscar. As primeiras horas do dia são as mais belas, e para mim nada é tão gratificante do que respirar esse ar da manhã e, sem certeza alguma na vida. Isso é bom que a vida nos guarda dia após dia, e assim segue nas inércias e seus descompassos.
Às vezes a beleza é relevante, ao menos vejo dessa forma. Não que eu não ame o belo, quem não for atraído pela beleza só deve ser cego ou não enxergar direito. São poucas as chances que eu tenho, por isso, eu tenho que ser bem mais objetivo nas comparações. Apesar de odiar o termo, sinto-me obrigado a me render meio toda essa declaração adversa.
A diferença entre amar e “se ferrar” é apenas figurativa, ambas nos levam ao ridículo mesmo em caminhos tão desiguais. Não menosprezo os termos, nenhum deles. Aliás, não menosprezo nada. Tudo é válido quando se quer chegar, e mesmo sem saber aonde ir devemos caminhar. Não perderemos mais tempo sendo os mesmos inúteis de ontem, vamos buscar e tentar ser o que todos somos... Humanos e perfeitos nas diferenças que temos.
Um fato sobre a vida: Ela é curta e eterna o bastante. Dura o necessário às vezes... E por outras termina precocemente que pouca a vemos passar. É fato nos dias de hoje. Tudo é banalizado. A violência, guerras, doenças, efeito estufa, corações partidos e amores não correspondidos. E assim contemplo os retratos da humanidade cada vez mais carente de amor próprio e de compreensão do que se passa na própria “telha”. O ridículo de amar é não ter a certeza do que se estar amando, ou simplesmente se ver nos olhos de outros e se achar dono daquele ser que estar ao lado. Não sei se devo me arriscar por esses campos ou por essas terras alagadiças e muitas vezes sem sentido. Mas, fazer o que. Vivo assim e assim irei firme pelo meu caminho, pisando forte e sendo o mesmo de sempre.
Sobre ela:
Muitos me perguntam, mas o que devo dizer então...
Uma vez que, eu nem mesmo sei quem é.
Apenas uma menina, acho que posso falar assim. Quando iniciei essa caminhada, eu tinha uma visão diferente da que eu tenho agora. Não que eu tenha desviado dos meus objetivos, ainda os tenho bem vivo em minha mente, só que coisas foram chegando e se tornando importantes, e outras ficaram quase que obsoletas. Cheguei a concluir então; que de tudo que eu deveria encontrar pelo caminho, ela foi uma das necessidades necessárias e essencial no meu mundo de faz de contas.
Hoje amanheceu meio nublado “por que será que eu sempre uso essa expressão...” e mais uma vez, com o meu nariz congestionado. Alergias aparte e foco nas estradas por onde passeio... Que fim de semana esse meu.
Não adianta, eu sempre ficarei preso a isso. Quem sabe um dia eu supere as feridas que me marcam até hoje. Feridas? Poxa! Eu que pensei que nunca iria falar nisso. Mas... Entre as coisas que eu penso e o que faço há uma diferença enorme com as coisas que eu sinto e vejo.
A vejo assim, ela sempre por lá. Sempre olhando distante, e nunca pra mim. Eu acho isso, e não tenho certeza. Amenina de olhos grandes e pele macia como avelã sempre presa nos meus sonhos e sempre presente na minha realidade. Se às vezes finjo ou não, não sei dizer. Se às vezes prostituo minha existência com essas coisas que eu ainda não aprendi a evitar. Poxa! Paciência, eu só quero terminar essa minha jornada, essa minha caminhada que já está tão longa que eu já nem sei se um dia chego ao fim, ou mesmo se terá fim. Acho que eu sou meio cultivador e não construtor, porque sempre trabalho e renovo para trabalhar novamente, e assim vou, a passos de formiga plantando as minhas próprias sementes.
Passei dessa fase de sonhar. Não quero ser lembrado como um louco e sonhador, até que essa primeira opção me atrai bastante. Mas se tudo for apenas isso, então que seja o que for. Pois bem! Será que vocês notaram que eu deixei de enumerar os dias? Acho que não! Há tantas coisas pra vocês se preocuparem, que não devem ter notado uma simples “deixa” tão insignificante. Queria agora começar outro parágrafo, mas achei este tão pequeno que resolvi escrever mais essas duas linhas para completá-lo. Só não sei o que dizer sobre os dias de um cidadão tão parado assim, e às vezes sem pretensão alguma.
Ela, a menina de olhos grandes. Sim ela, ela vive aqui em mim. Mas que é ela afinal... Será ela uma ilusão? Uma incerteza como todas as outras? Ou será ela simplesmente uma visão insegura do meu próprio horizonte tão distante de mim. Pois bem, eu nunca quis me perder. Acho que por isso que carrego dentro de mim um coração tão infantil e intenso que às vezes chego a duvidar até do seu pulsar sempre inconstante. Ontem choveu novamente, e como de costume, fiquei até tarde escutando o barulho da água que escorria pelo telhado e se chocava no chão. Passei horas ali sentado, e lembrei de uma passagem do Pequeno Príncipe; onde ele dissera que gostava de ver o pôr-do-sol sempre que estava triste.
Não sei se isso cabe a mim. Não me lembro de quando foi à última vez que eu pude observar um pôr-do-sol, não lembro mesmo! Mas isso não quer dizer que eu não tenha me sentido triste algumas vezes. Essa relação não se aplica a mim. Porém a lua, por sua vez vem a ser uma humilde testemunha das noites mal dormidas que eu sempre me submeti involuntariamente. Acho que sonhar mesmo, para mim, apenas quando acordado. Uma realidade não muito incomum, talvez uma fuga das ilusões, mas quanto a isso, nada posso afirmar.
Diário de um Vegetal