segunda-feira, 30 de maio de 2016

Era Uma Vez

A menina adormeceu.
Agora eu fico assim, meio que olhando as estrelas. Já penso tanto em parar que os meus pés já não me obedecem mais. Pois é, perdi aquele Q de paciência que me dominava, e agora com ela dormindo por aí, não sei o que fazer. Mas vai ser bom eu provar outros sabores. Há tantas outras frutas mordidas por aí, que hoje fica fácil tentar ir em frente sem ter um farol de referência.

A menina adormeceu. Ela quer ficar distante. Respeitarei sua decisão, mesmo sabendo que a história é minha, e ela sendo a minha personagem preferida, e o meu "Se" no meu pequeno mundo de paz. Aqueles olhos grandes me farão falta. Sim eu sei, mas nada poderei fazer se eles adormeceram e se desviaram para o lado oposto da escuridão.

Apenas peço-lhe desculpas. Por esses cantos não mais passarei. Tu ficarás presa aqui, e morta estarás nas próximas páginas. Algumas referências te sobrarão, mas quando despertar deste sonho alucinado, eu já estarei distante e cansado de fugir não sei do quê. Não! Não aconselho que volte. Lembra daqueles leões? Pois saiba que eu não os matei, apenas os deixei estonteados e desorientados. Lembre-se que eles ainda mordem, e isso eu sei que dói, e o quanto dói.

Novos caminhos para pessoas diferentes. Só eu que não mudei, ao menos como tantos esperaram. Escrevo por entre linhas, e jamais as palavras me ferirão tanto quanto as tuas atitudes me feriram.

Boa noite menina!
Bons sonhos!

Há vários outros mundos dentro de mim, mas eu continuarei o mesmo para sempre.  Fermento-me com os passar dos tempos, e hei de melhorar tanto quanto os vinhos. Destilados ou do outro lado, nada me distrairá...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Diário de um Vegetal

   Procurei algumas cinzas do que eu era antes, e me deparei com coisas horríveis. Jamais poderia imaginar que eu era assim, e que hoje, sou apenas algumas cinzas daqueles tempos que passaram.
Ontem olhei pra lua pela enésima vez, e senti que jamais me cansaria dessa vida.                 Andante como eu sou, nunca me apegarei a nada, apenas algumas lembranças que as vezes teimam em retratar a minha mente.

   Marte está em escorpião, Júpiter em leão, mas nada sei de horóscopo, e muito menos de astronomia. Procuro não ser sentimental. Sentimentalismo barato nunca foi o meu forte. Se eu gosto, eu gosto pra valer, jamais serei metade. Jamais refleti falsidade, e por nada mudarei esse meu jeito, mesmo por alguém que eu tanto ame. O meu eu é sempre prioridade, e mesmo assim, às vezes eu não entendo e e sempre deixo a desejar.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

UM DIA NORMAL?

   Chega a noite e nada de anormal acontece. Penso em ir até pracinha jogar um pouco de conversa fora, e parecer um pouco normal. Penso também em comprar pizza, mas a essa altura, o sabor já não importa, não tem mais sentido.
Chocolate já não me anima tanto, parece que já perdi o interesse.
   Depois que ela passou, não deixou nenhuma lembrança enfatizada, apenas algumas faíscas que as vezes o vento sopra e leva algumas cinzas, fora isso, não tenho mais nada. Mas porque chorar sozinho? Se não haverá ninguém para enxugar as nossas lágrimas. É meio como escolher uma garrafa de vinho, já sabendo que não vai gostar do sabor, e acabar tomando cerveja, simplesmente porque o whisky acabou e o queijo que você gosta foi vendido porque a data de validade venceu.
   Já pensou, um dia assim é tudo que deveria passar. E logo hoje, que eu resolvi brincar de ser normal, e sair por aí distribuindo arrogância e patada em tudo que for gente. Pois é, as vezes eu canso também. Desculpo a quem me machuca, não por pena dessa pessoa, mas por querer tentar entender o que faz chover em dias ensolarado.
   A lua está sempre no céu, as estrelas também estão presentes, e eu preso aqui  dentro, insistindo, resistindo e respirando. As fatias de pão não importam, podem ser de pão integral ou não. Quanto ao sabor do creme dental, esse sim, tem que ser de menta ou tutti-fruti. Não rejeito nada, as seriedades param por aqui e só, as coisas inúteis tomam de conta de todo o mundo.

#Diariodeumvegetal

JÁ NÃO ENUMERO OS DIAS

Já não enumero os dias

As primeiras horas do dia são as mais bonitas apenas para àqueles que não sabem observar o decorrer de cada hora passada. Pois bem, eu consigo ver coloridos onde tu só enxergas cinza e preto.  Pessoas que não sabem enxergar, só vêem o que querem que elas vejam.
Quero vê-las fecharem os olhos e descrever o que realmente estão vendo e sentindo. Posso ser “um Vegetal” nada incomum, mas sei o que realmente importa a alma.
De todos os olhos que eu pude observar, vi naqueles que pouco me revelaram sobre o que eu necessitei para entender. Sobre as coisas que eu não entendi nada pude fazer. Fiquei apenas observando os dias e as horas que passaram até hoje.
Se isso passou, eu não sei dizer. Há aqueles que sempre dão um jeito de não ser completamente esquecido. Mas isso não me importa, tenho objetivos a buscar. As primeiras horas do dia são as mais belas, e para mim nada é tão gratificante do que respirar esse ar da manhã e, sem certeza alguma na vida. Isso é bom que a vida nos guarda dia após dia, e assim segue nas inércias e seus descompassos.
Às vezes a beleza é relevante, ao menos vejo dessa forma. Não que eu não ame o belo, quem não for atraído pela beleza só deve ser cego ou não enxergar direito. São poucas as chances que eu tenho, por isso, eu tenho que ser bem mais objetivo nas comparações. Apesar de odiar o termo, sinto-me obrigado a me render meio toda essa declaração adversa.
A diferença entre amar e “se ferrar” é apenas figurativa, ambas nos levam ao ridículo mesmo em caminhos tão desiguais. Não menosprezo os termos, nenhum deles. Aliás, não menosprezo nada. Tudo é válido quando se quer chegar, e mesmo sem saber aonde ir devemos caminhar. Não perderemos mais tempo sendo os mesmos inúteis de ontem, vamos buscar e tentar ser o que todos somos... Humanos e perfeitos nas diferenças que temos.
Um fato sobre a vida: Ela é curta e eterna o bastante. Dura o necessário às vezes... E por outras termina precocemente que pouca a vemos passar. É fato nos dias de hoje. Tudo é banalizado. A violência, guerras, doenças, efeito estufa, corações partidos e amores não correspondidos. E assim contemplo os retratos da humanidade cada vez mais carente de amor próprio e de compreensão do que se passa na própria “telha”.  O ridículo de amar é não ter a certeza do que se estar amando, ou simplesmente se ver nos olhos de outros e se achar dono daquele ser que estar ao lado. Não sei se devo me arriscar por esses campos ou por essas terras alagadiças e muitas vezes sem sentido. Mas, fazer o que. Vivo assim e assim irei firme pelo meu caminho, pisando forte e sendo o mesmo de sempre.


Sobre ela:
         Muitos me perguntam, mas o que devo dizer então...
         Uma vez que, eu nem mesmo sei quem é.
Apenas uma menina, acho que posso falar assim. Quando iniciei essa caminhada, eu tinha uma visão diferente da que eu tenho agora. Não que eu tenha desviado dos meus objetivos, ainda os tenho bem vivo em minha mente, só que coisas foram chegando e se tornando importantes, e outras ficaram quase que obsoletas. Cheguei a concluir então; que de tudo que eu deveria encontrar pelo caminho, ela foi uma das necessidades necessárias e essencial no meu mundo de faz de contas.
Hoje amanheceu meio nublado “por que será que eu sempre uso essa expressão...” e mais uma vez, com o meu nariz congestionado. Alergias aparte e foco nas estradas por onde passeio... Que fim de semana esse meu.
Não adianta, eu sempre ficarei preso a isso. Quem sabe um dia eu supere as feridas que me marcam até hoje. Feridas? Poxa! Eu que pensei que nunca iria falar nisso. Mas... Entre as coisas que eu penso e o que faço há uma diferença enorme com as coisas que eu sinto e vejo.
A vejo assim, ela sempre por lá. Sempre olhando distante, e nunca pra mim. Eu acho isso, e não tenho certeza. Amenina de olhos grandes e pele macia como avelã sempre presa nos meus sonhos e sempre presente na minha realidade. Se às vezes finjo ou não, não sei dizer. Se às vezes prostituo minha existência com essas coisas que eu ainda não aprendi a evitar. Poxa! Paciência, eu só quero terminar essa minha jornada, essa minha caminhada que já está tão longa que eu já nem sei se um dia chego ao fim, ou mesmo se terá fim. Acho que eu sou meio cultivador e não construtor, porque sempre trabalho e renovo para trabalhar novamente, e assim vou, a passos de formiga plantando as minhas próprias sementes.
Passei dessa fase de sonhar. Não quero ser lembrado como um louco e sonhador, até que essa primeira opção me atrai bastante. Mas se tudo for apenas isso, então que seja o que for. Pois bem! Será que vocês notaram que eu deixei de enumerar os dias? Acho que não! Há tantas coisas pra vocês se preocuparem, que não devem ter notado uma simples “deixa” tão insignificante. Queria agora começar outro parágrafo, mas achei este tão pequeno que resolvi escrever mais essas duas linhas para completá-lo. Só não sei o que dizer sobre os dias de um cidadão tão parado assim, e às vezes sem pretensão alguma.
Ela, a menina de olhos grandes. Sim ela, ela vive aqui em mim. Mas que é ela afinal... Será ela uma ilusão? Uma incerteza como todas as outras? Ou será ela simplesmente uma visão insegura do meu próprio horizonte tão distante de mim. Pois bem, eu nunca quis me perder. Acho que por isso que carrego dentro de mim um coração tão infantil e intenso que às vezes chego a duvidar até do seu pulsar sempre inconstante. Ontem choveu novamente, e como de costume, fiquei até tarde escutando o barulho da água que escorria pelo telhado e se chocava no chão. Passei horas ali sentado, e lembrei de uma passagem do Pequeno Príncipe; onde ele dissera que gostava de ver o pôr-do-sol sempre que estava triste.
Não sei se isso cabe a mim. Não me lembro de quando foi à última vez que eu pude observar um pôr-do-sol, não lembro mesmo! Mas isso não quer dizer que eu não tenha me sentido triste algumas vezes. Essa relação não se aplica a mim. Porém a lua, por sua vez vem a ser uma humilde testemunha das noites mal dormidas que eu sempre me submeti involuntariamente. Acho que sonhar mesmo, para mim, apenas quando acordado. Uma realidade não muito incomum, talvez uma fuga das ilusões, mas quanto a isso, nada posso afirmar.


Diário de um Vegetal

terça-feira, 17 de maio de 2016

CONSIDERAÇÕES DA VIDA

Se um dia a gente desiste.
Deve ser porque não havia mais sentido em seguir adiante.
E se por acaso um dia a gente retornar de onde partimos. Não quer dizer que fracassamos, acho tudo isso muito complexo, e ainda sim, há muito mais por explorar...
O mundo é redondo, lembre-se disso.
E isso significa que damos a volta e chegamos fortalecidos pela caminhada.
A vida é assim; Segue em círculos, e não linear como um dia pensamos.

Eu só queria saber o que há nessa estrada que tanto me atrai, e que mesmo sabendo aonde ir, eu me sinto perdido.
Não é igual a uma folha quando cai, e segue a mercê do vento.
É algo mais assustador.
As pessoas me surpreende. Tanta vida por aí e elas perdendo tempo brincando de viver...

Morrem duas ou três vezes durante o dia e nem percebem. Eu por acaso vivo, e mesmo questionando os altos e baixos da vida, vivo por mim.
E mesmo parecendo egoísta, não vivo por mais nada.

Passei muito tempo sendo eu mesmo...
E não me arrependi.
Construir a si próprio requer muito material humano, e isso não se encontra nas prateleiras de um supermercado.



R Lima
Considerações da Vida

DIÁRIO DE UM VEGETAL

   De alguma forma, os meus pensamentos rebateram o que eu sentia, e por alguns minutos eu pude assistir o meu próprio desespero. Foi estranho, principalmente para quem não via algo assim desde que era um brotinho pequenino e sem graça. Engraçado, contar história pode ser muito hilário, mas não sei sorrir assim, feito um bobo.
   Já passei muito tempo sendo apenas uma mentira para mim mesmo. Pensei até, que eu não fosse capaz de dizer eu te amo para alguém, sem me sentir um completo idiota. Às vezes, fechar os olhos e tentar dormir é bem menos doloroso que tentar driblar o coração. Já sangrei bem menos no passado, e hoje aprendi a disfarçar até mesmo os sorrisos sinceros. Querer, desejar e amar, são verbos transitivos que jamais consegui conjugar nem em tempo, número ou pessoa.
   Entre todas as batalhas que possamos travar na vida, aquela que temos que lutar contra si próprio é a mais difícil. É meio que unir coração e razão, que assim como água e óleo, eles nunca se misturam. Já cansei, estou totalmente indiferente ao que me diz respeito. Até que o vento me conforta um pouco, e nos dias de hoje, nenhuma estrela quer fazer parte de uma constelação.
   O meu egoísmo, já me superou. O que eu tinha de humildade, aos poucos vai se evaporando e esvaindo-se na atmosfera. No passado eu sangrei, no presente ainda choro. E no futuro, quem há de defender o defensor? Porque eu, além de plantado, ando atolado na merda "esterco."


R Lima

sábado, 14 de maio de 2016

O Moço de Cabelos Brancos

Caminhei até aquela estrada deserta, e logo chequei numa casinha bem arrumada.

_ Bom dia! Disse aquele velho moço. Parece que tu está triste jovem rapaz?
Parei bem junto a porta, cruzei os braços o saudei com um cansado bom dia.

_ Só estou cansado meu velho, pareço-me tão velho quanto o senhor, porém muito mais desmotivado, não vejo mais estradas adiante, e preciso chegar até um local que ainda não sei onde e nem qual é.
Difícil essa jornada  busca de respostas!

Aquele velho homem logo percebeu algo, mas eu não tinha mais nada a questionar, apenas aceitar as dúvidas que o mundo jogava bem na minha cara.
_Filho, não se iluda sozinho. Vá em frente e enfrente o mundo. Desça e suba montanhas, não tente rodea-las, algumas dores tem que ser sentidas. Andar descalço por sobre as pedras, acaba engrossando o couro do pé...

...Não importa
O mundo sempre te dará as respostas.
Seja o tempo que for
Não há ninguém à toa, que não perceba quando se está com sede.
Riscos todos nós corremos, mas se negar a andar por falta de caminhos é ridículo.

Diário de um Vegetal
O moço de cabelos brancos

sexta-feira, 13 de maio de 2016

UM SÚDITO REBELDE

Assim foram os meus dias, todos eles. Se me arrependi de algo ou não, isso não poderei dizer. Vocês poderão ver nas minhas atitudes, e tirar as suas próprias conclusões. Certamente eu me mudei. Uma coisa aprendi... A evolução é certa. Tudo muda e tudo há de mudar.

Vocês ainda irão me ver caminhar. Afinal, na verdade, isso foi apenas à ida. Pretendo retornar em breve “um dia”. Uma estrada sempre termina e outra começa, é assim que eu vejo. Pode até ser a mesma estrada às vezes. O que sempre muda é o destino da chegada.

No momento ficarei por aqui mesmo. Eu, as lembranças e a saudade dos dias que passaram. Mas todo ano chove e as águas escorrem pelo mesmo caminho. Um esgoto; um riacho; um rio e enfim o mar.

Não terminarei num ponto final.

Desistir nunca foi o meu forte, apesar das aparências ou mesmo por engano, hoje prefiro as reticências...


DIÁRIO DE UM VEGETAL
RICARDO LIMA
“SEU SÚDITO REBELDE”

DIÁRIO DE UM VEGETAL