Já não consigo escrever sobre o que eu não sei, e sobre o que eu não vejo mais. Acho que perdi o meu lado sonhador, ou então o deixei e algum pesadelo incomum de se ter. Pois bem, e ainda houve aquele verme rastejante que apareceu e, logo me suprimiu das ilusões que eu tanto ostentava, mas tudo bem... "há males que vêm para o bem" e agradeço-lhe "de certa forma" o favor que ele me fez.
Hoje me sinto confortável e livre. Agora já posso andar descalço sem me preocupar com as velhas dores ou incômodos. hoje eu pude ver o quanto as pessoas são vazias e superficiais, e me dei conta do quanto eu fui ingênuo. Mas quanto a minha ingenuidade, posso dizer que não me parece defeito, e que todos têm o que merecer, mesmo que em proporções diferentes. Não quero ter que voltar a chorar, encerro por aqui essa fase melancólica. Julgo-me por vencido mesmo sem lutar, não por medo de enfrentar, mas por não conseguir sofrer tanto por coisas tão banais. Pois bem, a minha fragilidade é forte mesmo em momentos tão rápidos de lucidez.
Passei a procurar por pontes ao invés de muros para me libertar. Não quero ter mais que me referir ao passado como exemplo, quero apenas caminhar e levar dentro de mim as coisas que aprendi, e que nunca hão de me roubar, nem mesmo aquele verme rastejante fantasiado de pombinha da paz ou até mesmo as minhas incertezas tão vivas e presentes nos meus olhos. Vou sim, e não me importa o sabor do café, o valor do suco de limão ou o preço das maçãs no supermercado. Quero ir além de onde eu possa chegar, e assim ver tudo lá do alto, e ter a certeza de que eu mesmo, através dos meus esforços cheguei até ali, e que estarei pronto para qualquer batalha que me empenhar.
A menina de olhos grandes deixou-me ir, e eu fui. Tudo por conta de um Verme Rastejante e sem graça que apareceu do nada e se mascarou de anjinho, só que de asas bem tortas. De longe ainda a vejo, mas se por acaso, ela não mais ouvir falar de mim, vai ser porque eu não falo mais nela.
Diário de um Vegetal
O Verme Rastejante
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