segunda-feira, 16 de julho de 2018

DIÁRIO DE UM VEGETAL

  De alguma forma, os meus pensamentos rebateram o que eu sentia, e por alguns minutos eu pude assistir o meu próprio desespero. Foi estranho, principalmente para quem não via algo assim desde que era um brotinho pequenino e sem graça. Engraçado, contar história pode ser muito Hilário, mas não sei sorrir assim, feito um bobo.


   Já passei muito tempo sendo apenas uma mentira para mim mesmo. Pensei até, que eu não fosse capaz de dizer eu te amo para alguém, sem me sentir um completo idiota. Às vezes, fechar os olhos e tentar dormir é bem menos doloroso que tentar driblar o coração. Já sangrei bem menos no passado, e hoje aprendi a disfarçar até mesmo os sorrisos sinceros. Querer, desejar e amar, são verbos transitivos que jamais consegui conjugar nem em tempo, número ou pessoa.


   Entre todas as batalhas que possamos travar na vida, aquela que temos que lutar contra si próprio é a mais difícil. É meio que unir coração e razão, que assim como água e óleo, eles nunca se misturam. Já cansei, estou totalmente indiferente ao que me diz respeito. Até que o vento me conforta um pouco, e nos dias de hoje, nenhuma estrela quer fazer parte de uma constelação.


   O meu egoísmo, já me superou. O que eu tinha de humildade, aos poucos vai se evaporando e esvaindo-se na atmosfera. No passado eu sangrei, no presente ainda choro. E no futuro, quem há de defender o defensor? Porque eu, além de plantado, ando atolado na merda "esterco."


Ricardo Lima

quinta-feira, 20 de julho de 2017

APRENDI

Só aprendi que pedra cortava os pés quando comecei a andar descalço, e assim fui seguindo até encaliçar o solado dos meus pés. Só aprendi que bebida alcoólica embriagava quando tomei àquele porre numa festa de final de ano e pus a culpa numa laranja que nem mesmo provei. Aprendi muita coisa na vida, mas só depois de fazer errado umas três vezes seguidas. Mas afinal, o que mesmo importa, é o que se aprende com os erros. Não que eu nunca tivera acertado algo de primeira, afinal, mas se eu não fosse um pouco teimoso e curioso, nada eu teria feito nessa minha vida tão retilínea e proposital.


Olha que eu acertei beijar na boca de primeira, só não entendia o porquê da língua ser tão ligeira, e não ter aquele sabor de framboesa como dizia os poemas que eu lia durante as madrugadas. Há coisas automáticas, há outras que são naturalmente e outras tantas artificiais. Aprendi tanto com os livros, mas os sabores eu tive na vida, eu tive que testar um por um. E quando Machado de Assis disse: "naturalmente cedo, ou artificialmente tarde e vice-versa" na hora eu não havia entendido o subjugar das coisas ilícitas que só poderiam ser feitas as escondidas, e talvez assim eu não soubesse que a masturbação fosse um exercício tão praticado enquanto o chuveiro desperdiçava tanta água viva pelo ralo do esgoto.

Pois é... O valor de cada aprendizado depende de como vamos aplicá-los, tanto nos sonhos como na realidade. A minha vida real já é um tanto sem graça, e a tentativa de fuga desse ponto morto que aflige a minha realidade constante, já se apaziguou com o "eu" sonhador que já não dorme e se consome por inteiro durante as noites, que agora já são mais frias devido aos ventos que sopram vindos do sul.

Quando cortei os pés de tanto andar por cima das pedras, não sentia dores enquanto o sangue escorria, mas na verdade as dores estavam lá, e eu sabia que elas estavam ali, mas não por mim, talvez por alguém que não estava mais lá, ou que eu não me importo mais. Se eu tivesse acertado tudo numa única vez, e entendido tudo de uma só maneira, talvez hoje eu não soubesse que o beijo e a framboesa não tinham nada haver com a realidade do tocar das bocas e o enrolar das línguas, que por acaso, não precisam ser tão ligeiras.

Não importa o que dizem quando quiserem te ferir, feche os ouvidos e finja-se de surdo, o que não te incentiva não te serve pra nada.

Diário de um Vegetal 

terça-feira, 11 de julho de 2017

A SENHORA DE CABELOS ESTRANHO E UMA LEMBRANÇA DA MENINA DE OLHOS GRANDES

          Pensei em falar das coisas que eu não entendo, mas já que eu não entendo, porque perder tempo com isto. Algumas palavras voam, mas em tempos de crise, o melhor é resguardar-se de vários conceitos cruéis. Há em mim duas partes. Uma de fato diz o que sou, e a outra me esconde por trás do meu olhar curioso. Levou algum tempo para que eu entendesse que o “eu” oculto por trás da curiosidade, fosse de fato o mais interessante em mim. Enfim, não vou explicar melhor, por que assim estragarei o meu disfarce.

          Já que eu falei no tempo, então vou deixar que ele se encarregue dos outros caminhos que segui há tempos atrás; uma certa menina; um certo refúgio que me afugentou por anos. O tempo é o senhor dos esquecimentos e, para mim que sou um certo vegetal errante e inquieto, só me resta cavalgar por entre as linhas do aceitável o do lógico. E aqueles velhos erros ficaram para trás, e junto com eles a menina que era tão grande, perdeu o seu valor, e hoje são apenas traços que nem lembro mais. Ficou distante da minha realidade. Mudou de mundos. Praticamente perdeu-se no tempo. No seu tempo de ir, e foi...

          Algumas horas do dia ou da noite. Ainda venho a lembrar de algumas horas; de alguns caminhos; de alguma companhia em meus passos. Pois é, hoje já ando sozinho, e ando melhor. Consigo enxergar com mais precisão, e até posso me arriscar em correr. Encontrei algumas meias gente, mas de fato aquela senhora de cabelos estranhos me assustou. Ela era meio pálida, cabelos amarelos e andar meio capenga. O seu olhar era perdido, mas a sua língua era felina e não mentia, acho que me lembrei do tempo em que eu era apenas um broto de feijão perdido em algum canteiro da vida.
Aquela senhora me olhou bastante, e de repente a sua língua ardeu nos meus lombos.

               _ Se tu andas por aqui, é por que foges de teu mundo!
               _ Se tu olhas para mim com essa cara de bode perdido, é porque não sabes aonde vai!
               _ E se tu ficares aí, apenas parado, logo criará raízes e pronto. Não serei eu que te cortará!

          As palavras arderam como fogo, mas enfim tudo era verdade, menos a parte que eu fugia do meu mundo, na verdade eu aceitava cada vez mais o meu mundo e a condição de conhecer o tempo a cada hora e cor no mesmo dia.“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.” Essa frase de “Exupéry” me veio à cabeça como um o impacto de um meteoro no solo. Pois é, chorei! Cada um cativa e carrega no peito a dor que não cura e que não passa, mas acostuma. É um risco a correr, mas enfim! “O essencial é invisível aos olhos” como diziaAntoine de Saint Exupery.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O Verme Rastejante

Já não consigo escrever sobre o que eu não sei, e sobre o que eu não vejo mais. Acho que perdi o meu lado sonhador, ou então o deixei e algum pesadelo incomum de se ter. Pois bem, e ainda houve aquele verme rastejante que apareceu e, logo me suprimiu das ilusões que eu tanto ostentava, mas tudo bem... "há males que vêm para o bem" e agradeço-lhe "de certa forma" o favor que ele me fez.

Hoje me sinto confortável e livre. Agora já posso andar descalço sem me preocupar com as velhas dores ou incômodos. hoje eu pude ver o quanto as pessoas são vazias e superficiais, e me dei conta do quanto eu fui ingênuo. Mas quanto a minha ingenuidade, posso dizer que não me parece defeito, e que todos têm o que merecer, mesmo que em proporções diferentes. Não quero ter que voltar a chorar, encerro por aqui essa fase melancólica. Julgo-me por vencido mesmo sem lutar, não por medo de enfrentar, mas por não conseguir sofrer tanto por coisas tão banais. Pois bem, a minha fragilidade é forte mesmo em momentos tão rápidos de lucidez.

Passei a procurar por pontes ao invés de muros para me libertar. Não quero ter mais que me referir ao passado como exemplo, quero apenas caminhar e levar dentro de mim as coisas que aprendi, e que nunca hão de me roubar, nem mesmo aquele verme rastejante fantasiado de pombinha da paz ou até mesmo as minhas incertezas tão vivas e presentes nos meus olhos. Vou sim, e não me importa o sabor do café, o valor do suco de limão ou o preço das maçãs no supermercado. Quero ir além de onde eu possa chegar, e assim ver tudo lá do alto, e ter a certeza de que eu mesmo, através dos meus esforços cheguei até ali, e que estarei pronto para qualquer batalha que me empenhar.

A menina de olhos grandes deixou-me ir, e eu fui. Tudo por conta de um Verme Rastejante e sem graça que apareceu do nada e se mascarou de anjinho, só que de asas bem tortas. De longe ainda a vejo, mas se por acaso, ela não mais ouvir falar de mim, vai ser porque eu não falo mais nela.

Diário de um Vegetal
O Verme Rastejante

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Era Uma Vez

A menina adormeceu.
Agora eu fico assim, meio que olhando as estrelas. Já penso tanto em parar que os meus pés já não me obedecem mais. Pois é, perdi aquele Q de paciência que me dominava, e agora com ela dormindo por aí, não sei o que fazer. Mas vai ser bom eu provar outros sabores. Há tantas outras frutas mordidas por aí, que hoje fica fácil tentar ir em frente sem ter um farol de referência.

A menina adormeceu. Ela quer ficar distante. Respeitarei sua decisão, mesmo sabendo que a história é minha, e ela sendo a minha personagem preferida, e o meu "Se" no meu pequeno mundo de paz. Aqueles olhos grandes me farão falta. Sim eu sei, mas nada poderei fazer se eles adormeceram e se desviaram para o lado oposto da escuridão.

Apenas peço-lhe desculpas. Por esses cantos não mais passarei. Tu ficarás presa aqui, e morta estarás nas próximas páginas. Algumas referências te sobrarão, mas quando despertar deste sonho alucinado, eu já estarei distante e cansado de fugir não sei do quê. Não! Não aconselho que volte. Lembra daqueles leões? Pois saiba que eu não os matei, apenas os deixei estonteados e desorientados. Lembre-se que eles ainda mordem, e isso eu sei que dói, e o quanto dói.

Novos caminhos para pessoas diferentes. Só eu que não mudei, ao menos como tantos esperaram. Escrevo por entre linhas, e jamais as palavras me ferirão tanto quanto as tuas atitudes me feriram.

Boa noite menina!
Bons sonhos!

Há vários outros mundos dentro de mim, mas eu continuarei o mesmo para sempre.  Fermento-me com os passar dos tempos, e hei de melhorar tanto quanto os vinhos. Destilados ou do outro lado, nada me distrairá...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Diário de um Vegetal

   Procurei algumas cinzas do que eu era antes, e me deparei com coisas horríveis. Jamais poderia imaginar que eu era assim, e que hoje, sou apenas algumas cinzas daqueles tempos que passaram.
Ontem olhei pra lua pela enésima vez, e senti que jamais me cansaria dessa vida.                 Andante como eu sou, nunca me apegarei a nada, apenas algumas lembranças que as vezes teimam em retratar a minha mente.

   Marte está em escorpião, Júpiter em leão, mas nada sei de horóscopo, e muito menos de astronomia. Procuro não ser sentimental. Sentimentalismo barato nunca foi o meu forte. Se eu gosto, eu gosto pra valer, jamais serei metade. Jamais refleti falsidade, e por nada mudarei esse meu jeito, mesmo por alguém que eu tanto ame. O meu eu é sempre prioridade, e mesmo assim, às vezes eu não entendo e e sempre deixo a desejar.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

UM DIA NORMAL?

   Chega a noite e nada de anormal acontece. Penso em ir até pracinha jogar um pouco de conversa fora, e parecer um pouco normal. Penso também em comprar pizza, mas a essa altura, o sabor já não importa, não tem mais sentido.
Chocolate já não me anima tanto, parece que já perdi o interesse.
   Depois que ela passou, não deixou nenhuma lembrança enfatizada, apenas algumas faíscas que as vezes o vento sopra e leva algumas cinzas, fora isso, não tenho mais nada. Mas porque chorar sozinho? Se não haverá ninguém para enxugar as nossas lágrimas. É meio como escolher uma garrafa de vinho, já sabendo que não vai gostar do sabor, e acabar tomando cerveja, simplesmente porque o whisky acabou e o queijo que você gosta foi vendido porque a data de validade venceu.
   Já pensou, um dia assim é tudo que deveria passar. E logo hoje, que eu resolvi brincar de ser normal, e sair por aí distribuindo arrogância e patada em tudo que for gente. Pois é, as vezes eu canso também. Desculpo a quem me machuca, não por pena dessa pessoa, mas por querer tentar entender o que faz chover em dias ensolarado.
   A lua está sempre no céu, as estrelas também estão presentes, e eu preso aqui  dentro, insistindo, resistindo e respirando. As fatias de pão não importam, podem ser de pão integral ou não. Quanto ao sabor do creme dental, esse sim, tem que ser de menta ou tutti-fruti. Não rejeito nada, as seriedades param por aqui e só, as coisas inúteis tomam de conta de todo o mundo.

#Diariodeumvegetal

DIÁRIO DE UM VEGETAL